segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ELEITOR ARREPENDIDO

















(Cícero Manoel)
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Eu moro em Alagoas
Num interior grosseiro,
Numa casinha de taipa
Com um pequeno terreiro,
Sou um pobre agricultor
Na roça esse sofredor
Trabalha o dia inteiro.

Na minha casa outro dia
Num tempo de eleição,
No terreiro lá de casa
Desceu de um belo carrão,
Um candidato a prefeito
Junto com outro sujeito
Numa alegria do Cão.

Num banco eu tava sentado
Na hora que eles chegaram.
Do alpendre da tapera
Eles se aproximaram,
E naquela ocasião
Pegando na minha mão
Logo me cumprimentaram.

Pedi que eles entrassem,
No banco um se sentou,
E o candidato na hora
Ficou em pé e falou:
- Sou candidato a prefeito,
Quero muito ser eleito
Por isso aqui estou!

A minha esposa na porta
Chegou então nessa hora,
Ele pegou na mão dela
Ele me disse sem demora:
- Amigo trabalhador,
Quero o voto do senhor
E o da sua senhora.

Aí eu disse : - Tá certo,
Vou ver se posso ajudar...
Ele pôs a mão no bolso
E logo chegou tirar,
Cem reais com sua foto
E disse: - Eu quero seu voto,
Vote que vou lhe ajudar!

Não tive outra, peguei,
O dinheiro sorridente.
Ele apertou nossas mãos
E se despediu da gente,
Foram embora, eu fiquei,
E o dinheiro guardei
Na carteira bem contente.

Eu e a minha mulher
Votamos no tal sujeito,
Nas urnas lá da cidade
Ele ganhou pra prefeito.
Meses depois se passou
E uma dor me pegou
Quase me mata de jeito.

Peguei a fila do SUS
E cheguei me consultar,
Mas um remédio bem caro
O doutor mandou comprar,
Na rua da amargura
Falei: - Vou na prefeitura
Pro prefeito me ajudar!

Cheguei lá falei com ele
E levei uma facada.
Ele disse: - Meu senhor
Eu não posso fazer nada!
Aí então lhe falei:
- Mas no senhor eu votei
Ajude esse camarada!

Me ajudar naquela hora
Disse ele que não podia,
Disse: - Nós estamos quites
Volte aqui outro dia...
Quando em mim você votou
Na hora você pagou
Os Cem que já me devia!

Criei vergonha na cara
Pelo que cheguei passar,
Hoje se um candidato
Vier meu voto comprar,
Boto nele o Satanás,
Pois na vida nunca mais
Por dinheiro vou votar.


Sítio Ilha Grande, Santana do Mundaú-AL
18 de julho de 2013

quarta-feira, 20 de julho de 2016

OITENTA E DOIS ANOS SEM O PADRE CICERO
























AUTOR: Cicero Manoel Cordelista

Ha oitenta e dois anos
Na sua flagelação,
Às seis horas da manhã
Na terra da oração
Falecia em casa o padre
Mais famoso do sertão.

“No céu pedirei a Deus
Por toda nossa nação.”
Foram as últimas palavras
Dadas acenando a mão
E abençoando a todos
Dentro do seu casarão.

Quando a notícia espalhou-se
Muitos caíram ao chão,
Chorando desesperados
Em grande desolação,
O sertão entristeceu
Chorou até Lampião.

O Nordeste botou luto
Da capital ao sertão
Quando lá no Juazeiro
Num dia de comoção
Partiu para outra vida
O Padre Cicero Romão.

Quarenta mil pessoas foram
A beira do seu caixão,
Dar o último adeus
Com pesar no coração
Com as lágrimas caindo
Padecendo de emoção.

Seu caixão foi conduzido
Pela grande multidão,
À capela do socorro
Em choro e oração,
Contam que um pombo branco
Chegou pousar no caixão.

Lá foi enterrado o padre
Patriarca do sertão,
Foi servo de Deus na terra
Padeceu humilhação,
Obedecendo a Igreja
E a sua religião.

Foi um homem de poder
Lá em sua região,
Foi pastor dos sertanejos
Com seu cajado na mão
Pregou a paz do senhor
Na força da oração.

Homem de conhecimento
E de uma grande visão,
Cercado de misticismo,
Fatos sem explicação,
Que lhe trouxe aperreios
E muita complicação.

“Meu Padim Ciço é santo”
Diz o homem em procissão,
Sua imagem é colocada
Em toda repartição
Seu nome é pronunciado
Com prazer no coração.

A igreja que o baniu
Já lhe deu até o perdão,
E já está preparando
A beatificação,
Mas para o povo ele é santo
Sem a canonização.

O Juazeiro do Norte
Um misterioso chão,
É símbolo de romaria
E de peregrinação
Em nome do Padre Cícero
O “Santo” de devoção.

Todo dia em Juazeiro
Chega com satisfação
Romeiro de todo canto
Da capital ao sertão
Para visitar a terra
Do Padre Cícero Romão.

Nesse dia enlutado
Com fé e com devoção,
Os devotos do Padrinho
Com o rosário na mão
Vão à missa e cantam cantos
Pedindo sua intercessão.

(Santana do Mundaú – AL / 20 de julho de 2016)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

HOJE ME VEIO A SAUDADE



Hoje me veio a saudade
De poder te abraçar,
De em seus olhos olhar,
E na minha ansiedade
Beijar você com vontade.
Recordei em pensamentos
Aqueles lindos momentos
Que juntos nós já passamos,
Quando juntos entregamos
Um ao outro os sentimentos.

Desejei logo adiante
A sua mão me tocando
Seu corpo nu me queimando
Num gemido arrepiante.
Recordei por um instante
Com desejo e com paixão
As nossas roupas no chão,
Seus cabelos assanhados
E os beijos demorados
Que demos em seu portão.

Cicero Manoel Cordelista
13 de julho de 2016