sábado, 6 de setembro de 2014

O SERTANEJO E A MOÇA DA CIDADE



Moça eu sou um caboclo
Dos confins lá do sertão,
Eu moro numa tapera
Casado com a solidão,
No topo de uma serra
Em meu pedaço de chão.

Moça a minha tapera
É coberta de sapé,
Eu nunca andei de carro
Moça eu só ando a pé,
Moça é feito de Bambu
O copo d’eu beber café.

Nunca fui numa escola,
Moça nunca estudei,
Moça não conheço as letras,
Nada de estudo eu sei,
Na roça limpando mato
Com meus pais eu me criei.

Moça eu vivo na roça
Travado na minha enxada,
Moça na minha tapera
Nunca chegou faltar nada,
Amo plantar minha roça
Nas chuvas da invernada.

Eu não uso roupa fina,
Uso o roupa do roçado,
Um velho chapéu de palha
Com um casaco listrado,
Uma calça e uma bota
Com o solado rasgado.

Lá eu tenho quase tudo
Mas algo chega faltar,
Me falta uma mulher
Pra da tapera cuidar,
Pra dar milho as galinhas
E a tapera animar.

Me falta uma mulher
Pra completar minha vida,
Pra cuidar da minha horta
Pra fazer minha comida,
Também pra dormir comigo
Toda noite na dormida.

Preciso de uma mulher
Pra tapera eu encher,
De menino e menina
Pelo terreiro a correr,
Moça não tenho riqueza
Só tenho amor e prazer.

Moça assim que te vi
Cheguei me apaixonar,
Moça se você quiser
Com você quero casar,
Te fazer minha mulher
E pro sertão te levar.

Te levo dessa cidade
Pro oco do meu sertão,
Lá a gente vai viver
Com muita satisfação,
E vou cuidar de você
Com amor no coração.

Moça lá no meu sertão
Vou te tratar como flor,
Eu vou zelar de você
Com carinho e muito amor,
Tendo a benção sagrada
De Deus o nosso senhor.

Se quiser casar comigo
Eu vou falar com seus pais,
Pois se você não quiser
Partirei nos espinhais,
Vou embora pro sertão
E aqui não volto mais.

Cicero Manoel / Santana do Mundaú-AL /6 de Setembro de 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

MENINA SEU LINDO OLHAR VAI ME MATAR DE PAIXÃO


 




















Você bonita menina
Do olhar tão carinhoso,
Do corpinho tão formoso,
Da cinturinha tão fina,
Da boquinha pequenina
Que causa em mim atração,
Eu estou sem direção
Cheguei me apaixonar.
Menina seu lindo olhar
Vai me matar de paixão.

Toda vez que eu te vejo
Distante de mim passando
De longe fico te olhando
E digo, sinto desejo,
Eu gosto do seu gracejo
Ao te ver fico sem chão,
Queria pegar sua mão
E sua boca beijar.
Menina seu lindo olhar
Vai me matar de paixão.

Em casa eu fico pensando
O que eu devia fazer
Pra chegar e te dizer
Que de você tô gostando,
Mas fico me maltratando
Te amando na solidão,
Com medo da ilusão
Que você pode me dar.
Menina seu lindo olhar
Vai me matar de paixão.

O seu olhar tão bonito
Outra menina não tem
Ele veio do além
Das bandas do infinito,
O seu olhar é bendito,
Me deixa sem reação,
Na minha imaginação
Penso nadar em seu mar.
Menina seu lindo olhar
Vai me matar de paixão.

Eu acho você perfeita
Pra ser a minha mulher
E se você me quiser
Te digo estás eleita,
Tu ganharás a colheita
De toda a plantação,
Te planto em meu coração
Até você germinar.
Menina seu lindo olhar
Vai me matar de paixão.

Não nego menina, estou
Por você apaixonado,
Naquele dia encantado
Que o nosso olhar se cruzou,
Meu peito acelerou
Andando na contramão,
Te dou o meu coração
Pra você dele cuidar.
Menina seu lindo olhar
Vai me matar de paixão.

Cicero Manoel Cordelista / Santana do Mundaú – AL / 3 de Setembro de 2014

Imagem: gshow.globo.com




sábado, 2 de agosto de 2014

O RÁDIO DE PILHA




















Hoje à tarde eu montei
No meu bonito burrão
E fui parar sem querer
Lá no Sítio Riachão
Bem mais preciso na casa
Do meu compadre Azulão.

Lá eu desmontei do burro
E cheguei me aproximar,
Quando apertei a sua mão
Disse ele: vamos sentar,
Foi muito bom o senhor
Vir aqui me visitar.

Compadre sente contente
Fique aí nessa cadeira,
Que eu vou buscar meu rádio
Lá dentro na Partilheira,
Pra nós assistir o jogo
Da seleção brasileira.

Eu disse: assistir o que?
Ele chegou explicar:
Compadre a copa do mundo
Já começou pra lascar,
E a nossa seleção
Nesse instante vai jogar!

Eu disse: Apois pegue o rádio
Traga pra cá o danado,
Vamos ouvir esse jogo,
Vá busca-lo apressado,
Mas compadre vou torcer
Pro time do outro lado!

Aí compadre  Azulão
Me disse meio cabreiro:
- Oxe compadre o que é isso?
E tu num é brasileiro?
Aí lhe dei a resposta
Falando muito ligeiro.

- Há compadre não tem graça
Pelo mesmo nós torcer,
Aposto como o outro
Desse Brasil vai vencer,
Ele me disse: vai nada...
Mas isso nós vamos ver!

Ele então trouxe o rádio
Naquela ocasião,
E um cabra começou
Fazer uma narração
Narrando aquela partida
Numa carreira do cão.

Compadre se levantou
E veja o que foi ver,
Trouxe um litro de cachaça
Pra eu com ele beber,
Pegamos ouvir jogo
E com a pinga se entender.

Compadre então revelou-me
Um sonho que tinha então,
Disse: - compadre o meu sonho
É ter uma televisão,
Preu ver a Copa do Mundo
E a minha seleção.

Aí eu disse esse sonho
O senhor vai realizar,
Um dia os homens aqui
Energia vão botar
E uma televisão
Então nós vamos comprar.

O jogo então prosseguiu
E nada do gol sair,
Compadre foi se enfezando
Eu comecei a sorrir
A cachaça em seu bucho
Sempre chegava cair.

Quando o primeiro tempo
Foi então paralisado
Meu compadre azulão
Já Estava embriagado,
O jogo zero a zero
Deixava ele enfezado.

E quando o segundo tempo
Do jogo se iniciou,
Compadre tomou mais uma
E uma pra mim botou,
Aí o rádio de pilha
Naquela hora parou.

As pilhas descarregaram
E meu compadre enraivado
Querendo ouvir o jogo
Pra saber o resultado
Pegou dar murro no rádio
Mas tudo estava acabado.

Aí eu disse compadre
Sua seleção perdeu,
Ele pegou um facão
E apontou para eu,
Amigo naquela hora
Meu corpo estremeceu.

Segurando o facão
E bastante enraivado,
Ele gritou: Vida triste!
Rádio amaldiçoado!
Partiu o rádio no meio
Foi banda pra todo lado.

O fim do jogo não sei
O rádio não mais falou,
Compadre muito nervoso
Em sua casa ficou
Peguei o burro montei
Porque besta eu não sou.

E no meio do caminho
Eu disse em ocasião:
“Talvez eu e meu compadre
Um dia nesse sertão
Possamos assistir a copa
Em uma televisão.

E quando isso acontecer
Vai ser só felicidade,
Mas isso só quando os homens
Que vivem lá na cidade,
Trouxerem pra eu ele
A tal eletricidade.

CICERO MANOEL
SANTANA DO MUNDAÚ – AL
17 DE JUNHO DE 2014