quinta-feira, 31 de julho de 2014

A BALADA DA PETECA




























No sítio onde eu me criei
Um dia vi numa estrada
Um homem tangendo um burro
Com uma carga pesada
Quando o burro parava
Levava uma tabicada.

Acompanhando o homem
Ia um pobre menininho,
Pois era filho do homem,
Era um lindo galeguinho,
Não tinha nem cinco anos
Aquele tal garotinho.

Correndo atrás do pai
Ia aquele cristão,
Com muita felicidade
Descalço naquele chão,
Levando com alegria
Uma peteca estilingue na mão.

O seu pai gritava: “Burro,
Anda pra frente empestado!
Anda Burro Fio da Peste,
Vai pra frente desgramado!”
O garoto ouvindo aquilo
Perguntou muito animado:

“Ô papai pro burro andar,
Dou nele uma petecada?”
O pai mandou ele dar,
Depois não disse mais nada,
O garoto então pegou
Uma pedrinha na estrada.

A pedrinha na peteca
O garotinho botou,
Aí então a peteca
No burro ele mirou,
Com sua grande inocência
A bala ele disparou.

Com muita velocidade
A bala se deslocou,
Era pra pegar no burro
Mas no pobre não pegou,
Em vez de acertar o burro
O pai, ela acertou.

O pai fez uma careta
E gritou na ocasião:
“Eita balada da peste!
Eita balada do Cão!
Mandei acertar no burro
Seu cabeça de torrão!”

A bala acertou nas costas
E veja o resultado:
Gerou um grande inchaço
Doído e avermelhado,
O pai naquela agonia
Fez algo desesperado.

A peteca do garoto
Na hora ele tomou,
Com uma raiva danado
No bolso ele guardou
E na cabeça do Filho
Um cocorote acertou.

Coitado do garotinho
Logo começou chorar,
Mas o pai ignorante
Mandou ele se calar
E o garoto inocente
O choro chegou parar.

E assim com o pai seguiu
Naquela estrada comprida
Passando a mão na cabeça
Do cocorote doída
Com sua ingenuidade
E inocência da vida.

O seu pai também seguiu
Naquela estrada sofrendo,
Olhando a carga do burro
A toda hora o tangendo,
E por causa da balada
Ia com as costas doendo.

A dor daquela balada
No burro ele descontava,
Quando o coitado do burro
Alguns segundos parava,
Uma forte tabicada
O pobre animal levava.

Cicero Manoel
Santana do Mundaú-AL
28 de Abril de 2010

sábado, 7 de junho de 2014

A FESTA DE SÃO JOÃO


Nestes versos vou falar
Para todo o pessoal
De uma festa popular
Bastante tradicional,
Essa festa dura um mês
E vou dizer pra vocês
É a melhor, não conteste!
Falo com satisfação
Da Festa de São João,
A maior desse Nordeste.

Nesse tempo o sertão
De alegria incendeia,
A festa de São João
Três santos homenageia.
Na palhoça ou no terreiro
Santo Antônio é o primeiro
A ser homenageado.
São João vem logo depois
Passa três dias, mais dois
E vem São Pedro emendado.

Nessa festa tão bonita
Nela não pode faltar
Matuto e moça de chita,
Para a quadrilha dançar.
Na festa de São João
Não pode faltar rojão
Nem arraiá enfeitado,
Não pode faltar fogueira,
Chuvinha bomba caseira,
Canjica e milho assado.

O forro acabrunhado
É o ritmo do São João
Aquele forró criado
Por Luiz rei do baião
É lindo e é bom que só
No São João dançar forró
Dentro de uma palhoça
Com a moçada brincando
Zelando e preservando
Toda a cultura da roça.

É muito especial
A festa de São João!
Do sertão ao litoral
Ela é pura tradição.
Não tem festa igual a ela
No nordeste é a mais bela
E também a mais animada,
Numa noite de fogueira
Nossa região inteira
Fica toda iluminada.

Lembrando que a festa é
De prece e devoção,
Portanto, não falta fé,
Novena e procissão.
Pois os três santos citados
Que são homenageados
Nessa festa popular,
Estão de parte olhando
E sempre abençoando
O povo que vai brincar.


Cicero Manoel
Santana do Mundaú – AL
7 de junho de 2016

quinta-feira, 5 de junho de 2014

VERGONHA NA PRAÇA SANTA ANA
























Por uma Mundauense
Cheguei me apaixonar
Pra conhecê-la melhor
A chamei pra conversar
Com uma paixão insana
Lá na Praça Santa Ana
Com ela fui me sentar.

Num banquinho acabado
Com ela eu me sentei,
O banco nem tinha encosto
No banco me apoiei
Aí peguei sua mão
E toda minha paixão
Para ela declarei.

Ela gostou do que eu disse
Bateu mais meu coração,
Então fui lhe dar um beijo
E veja a situação
Quando eu fui lhe beijar
O banco chegou quebrar
E nós caímos no chão.

As duas tábuas do banco
De tão velhas se quebraram,
Não puderam com nós dois
E no meio se laxaram
Eita vergonha do cão
Nós nos lascamos no chão
E as pessoas mangaram.

Com vergonha lá do chão
Nós chegamos levantar,
E embaixo de uma árvore
Fomos então conversar
Alguns minutos passou
No tronco ela se encostou
E o beijo fui lhe dar.

Quando eu ia lhe beijar
Com todo o meu respeito
Uma formiga entrou
Na blusa dela de jeito
E a formiga danada
Foi dar logo uma picada
Mesmo no bico do peito.

Foi grande a agonia
Quando a formiga picou,
Uma mão dentro da blusa
A moça logo botou
E lá naquele aperreio
Ela com a mão no seio
A formiga então matou.

Aí então lhe falei;
- Vem comigo minha amada,
Vamos sair dessa praça
Ô que tarde azarada!
Aí peguei na mão dela
E quando saí com ela
Não olhei para a calçada.

Tinha uma tuia de bosta
Que alguém tinha deixado,
Era obra de cachorro
Lá tinha um peste cagado,
Pra calçada não olhei
Com meu sapato pisei
Que o pé ficou atolado.

Um fedor tão desgraçado
Naquela hora subiu,
A moça se afastou
O povo na hora riu
A moça nem disse nada
Saiu bastante magoada
De mim nem se despediu.

Aí com muita vergonha
O pé da bosta tirei
Num cantinho da calçada
O sapato esfreguei
Totalmente envergonhado
Também muito magoado
Pra casa me retirei.

Insistente convidei
A moça outra semana
Acabei levando ela
Para um lugar bacana,
Lá eu dei o beijo nela
Mas nunca mais fui com ela
Lá pra Praça Santa Ana.

Cicero Manoel
Santana do Mundaú – AL
20 de Maio de 2014