domingo, 29 de setembro de 2019

UMA PRIMA PRA CASAR


(Cícero Manoel)
 

Vovô casou c’uma prima,
De anos viveu uns cem.
Pai também casou com uma
Na cidade de Belém
E eu jurei que casava
Com uma prima também.

Com quinze anos beijei
A minha prima Luzia,
Que era da minha idade,
Me amava e me queria.
Mas ela morreu de febre,
Assim da noite pro dia.

Então, eu falei namoro
Com minha prima Isabela,
Comprei uma aliança
E botei no dedo dela.
Um dia um caminhoneiro
Passou e carregou ela.

Minha prima Elenita
Eu comecei paquerar,
Quando fui falar namoro
Ele veio me contar
Que tava prenha de João
Filho de seu Ribamar.

Falei namoro à Helena,
Prima do meu coração,
Era a prima mais bonita
Que eu tinha na região.
Helena disse: “Eu não quero.
Você é como um irmão”.

Então as primas que eu tinha
Foram todas se casando.
Aos poucos, uma a uma,
Os cabras foram levando,
E eu doido atrás de uma
Ficava somente olhando.

A última que levaram
Foi Maria Currutelo,
Fiquei só chupando dedo
No meu cantinho singelo,
Já fiz quarenta e três anos
E ainda sou donzelo.

Outro dia me trouxeram
Uma mulher lá de cima
Era até engraçada,
Seu nome era Júlia Lima,
Mas despachei a danada,
Pois não era minha prima.

Quando eu achar uma prima
Encontro a felicidade,
Das primas que carregaram
Eu não sinto nem saudade,
Pois nenhuma delas quis
Tirar minha virgindade.

Peço encarecidamente
Se você for meu amigo,
Procure uma prima minha
Para se casar comigo...
Não precisa ser bonita,
Foi prima, acaba o castigo.

Nem que eu morra solteiro,
Velhinho numa casinha,
Mas não quebro minha jura
Que eu fiz quando criancinha.
Só caso um dia na vida
Se for c’uma prima minha.

Para tudo tem o dia,
Esse dia vai chegar.
Deus sabe todas as coisas
E ele vai me amparar
Há de mandar uma prima
Pra comigo se casar.

(Residencial Jussara, Santana do Mundaú – AL, 29 de setembro de 2019)

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

LIVRO: RIMAS DO MUNDAÚ


O livro Rimas do Mundaú é uma antologia de poesia popular, organizada e também escrita por Cícero Manoel, poeta radicado em Alagoas.  A obra foi publicada pela EDUNEAL em 2018 e teve as orelhas escritas por Jairo José Campos da Costa, ex-reitor da Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL. 

O livro está dividido em três partes: cordel, repente e toada. Cada uma dessas partes é introduzida com um pequeno estudo teórico sobre elas. 

A obra reúne 16 poetas populares do Vale do Mundaú (Região da Zona da Mata alagoana cortada pelo Rio Mundaú). Os poetas estão divididos em cordelistas (aqueles que escrevem cordéis), repentistas (os que fazem repente) e aboiadores (os que improvisam aboios e cantam toadas). Esses poetas estão distribuídos entre as três partes que completam a obra. 

São eles:

CORDEL

Ednaldo Alves
José Amauri Clemente
Gilmar da Pindoba
Madalena Feitosa
Melqui Zedeque
Rizomar Ferreira
Ricardo Gonçalves
Rosana Oliveira
Edmilson Soares
Waldemar Matias

REPENTE

Everaldo Caetano
Antônio Henrique
Lourinho

TOADA

Arany do Gado
Edpaulo Aboiador
Luiz Honorato

O livro foi lançado pela primeira vez em 14 de setembro de 2018 na "Erva Doce, Doce Erva" em Maceió-AL e contou com a presença do poeta Gilmar da Pindoba, além de amantes da poesia, amigos e familiares dos participantes da obra. 

Em 6 de outubro do mesmo ano aconteceu um segundo lançamento da obra, desta vez no auditório do Campus V da Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL em União dos Palmares-AL, com a participação dos poetas Everaldo Caetano, Antônio Henrique, Gilmar da Pindoba e Rosana Oliveira, além da presidente do conselho editorial da Eduneal, Sanadia Gama dos Santos e dos professores e estudantes do campus. 

A obra foi publicada com o apoio cultural da Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL, onde Cícero Manoel cursa Letras-Vernáculas. Nos lançamentos durante suas falas este destacou a importância da UNEAL na sua vida e na publicação de Rimas do Mundaú.



(Manoel Alves)




segunda-feira, 29 de julho de 2019

ADEUS À MARIQUINHA




Maria José de Oliveira
* 1960
+ 2019


Alagoas se despede
Nesse início de semana,
Da famosa Mariquinha,
Cordelista alagoana,
Que parte pra outra vida,
Porque a morte é insana.

Morre Maria José
De sobrenome Oliveira,
Uma grande alagoana,
No cordel uma guerreira,
Poetisa popular
Glosadora de primeira.

Mariquinha dedicou
Sua vida ao cordel,
Na terra ela colocou
Suas rimas no papel
E agora foi chamada
Pra fazer cordel no céu.

Seus amigos cordelistas
Lamentam a sua morte.
Daqui eu peço a Deus
Que a família conforte.
Mariquinha não morreu
Seu nome está vivo e forte.

Parte uma cordelista
Que escrevia o que via,
Que lutou pelo cordel
Toda noite e todo dia
E vai deixando o seu nome
No mundo da poesia.

Lutemos pelo cordel
Como fez nossa amiguinha.
Vamos levar o cordel
Para toda criancinha,
Pode ser que dessa forma
Nasça outra Mariquinha.

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Cícero Manoel
29 de julho de 2019