terça-feira, 16 de julho de 2019

CHOVE CHUVA EM MINHA TERRA

(Imagem: Lúcia Lourenço)


Chove chuva nessa tarde,
Venha molhar meu torrão.
Deixe a terra bem molhada
Caia nessa região 
Pra eu plantar minha roça 
De milho, fava e feijão.

Chove chuva nessa terra
Deixe o vale inundado.
Deixe o Mundaú bem cheio
Mate a sede do coitado
Que anda de bucho seco
Caminhando fatigado.

Chove chuva no meu vale,
Traga o inverno pra cá .
Encha meu lindo riacho
Pra eu pescar jundiá
E pegar pitu nas locas
Com meu primo Sabiá.

Chove chuva nas grugueias
Onde eu vivo meus dias.
Pra que eu possa ouvir os sapos
Com as suas cantorias
Na beirada das lagoas
Fazendo suas orgias.

Chove chuva em meu casebre,
Faça a biqueira cantar.
Traga aquela enxurrada
Que faz barreira arriar
Traga aquela friagem
Do corpo se arrepiar.

Chove chuva nas montanhas
Dessa terra tão escura.
Molhe bem as nossas plantas,
Leve embora a quentura,
Traga muita esperança,
Alegria e fartura!


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Cícero Manoel / Santana do Mundaú-AL /15 de julho de 2019


quinta-feira, 16 de maio de 2019

HOMENAGEM ÀS MÃES

(Cícero Manoel)
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O grande dia das mães
Precisa ser todo dia,
Mas já que existe uma data,
Eu quero com alegria,
Parabenizar às mães
Em forma de poesia.

Mãe é criação divina
Ninguém queira duvidar,
É um ser especial
Um ser espetacular,
Que sofre pelo seu filho
E ama sem se cansar.

A mãe é um ser incrível,
É uma flor delicada,
Ela é uma joia rara,
Uma pedra lapidada.
Toda mãe precisa ser
Amada e respeitada.

Maior exemplo de mãe?
Maria mãe de Jesus,
Que concebeu o seu filho
Num espírito de luz
E sofreu como ninguém
Ao vê-lo morto na cruz.

Quem tem a sua mãe viva
Cuide dela direitinho,
Porque quando ela morre
O filho fica sozinho,
Perde aquela que no mundo
Lhe deu o maior carinho.

Trate bem a sua mãe,
Preze sua mãe querida,
Filho que tem uma mãe
Tem amor e tem guarida,
Ter mãe é a melhor coisa
Que alguém pode ter na vida.

Você que tem sua mãe
Ame-a com amor profundo,
Dê beijo, dê muito abraço,
Deite em seu colo fecundo.
Quem tem mãe tem o tesouro
Mais precioso do mundo.

A mãe passa a noite em claro
Com o seu filho doente,
Jamais uma mãe quer ver
Seu filho morto ou ausente,
Mãe é presente divino
Que Deus deixou para a gente.

A mãe briga mata e morre
Defendendo um filho seu,
Ninguém com o amor dela
Na terra ainda nasceu
Mãe vive pra proteger
O fruto que ela deu.

A mãe passa nove meses
Com um filho na barriga
E quando o filho cresce,
Se faz o mal, ela briga,
O filho que xinga a mãe
O Cão leva ele na liga.

Para proteger um filho
De tudo a mãe é capaz
Pra ver um filho feliz
Tudo no mundo ela faz.
Mãe é ser abençoado
A mãe precisa de paz.

Parabéns a todas mães
Que Deus lhes traga coragem,
Para lutar nessa vida
Para levar a bagagem,
Porque o caminho é curto
E a vida é uma viagem.
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(Residencial, Santana do Mundaú-AL, 10 de maio de 2019)


quarta-feira, 17 de abril de 2019

O ELEITOR QUE VOTOU POR UM PAR DE BOTAS



(Cícero Manoel)

Neste cordel vou contar
Pra toda a população,
O que chegou se passar
Num tempo de eleição.
Na cidade dos maus tratos
Surgiram dois candidatos
Brigando pelo poder,
Mentindo e enganando
Pelas ruas abraçando
Quem não tinha o que comer.

Os candidatos, leitor,
Vou descrevê-los fiel.
Um se chamava Doutor
E o outro Coronel.
Nessa eleição pra prefeito
Compraram voto de eito
Até por quinze reais.
Deram telha, dentadura,
Pano pra fazer costura,
Pote e botijão de gás.

Na Rua do Cururu
Morava Mané Pilão,
Natural de Mundaú,
Um honesto cidadão.
Esposo de Mariquinha,
Pai da moça Terezinha
De quinze anos de idade.
Um homem muito decente,
Trabalhava de servente
Naquela humilde cidade.

A eleição caminhava
Numa bagunça do Cão,
Mané indeciso estava
Com um mês de eleição,
Mas o tempo foi passando
Depois Mané foi gostando
Do que o Doutor dizia,
Esse certo candidato
Falava tudo exato
Do jeito que ele queria.

Um dia Mané falou:
— Ele é o meu prefeito!
Seu adesivo botou
Colado em cima do peito,
Passou a ir animado
Nos comícios do danado
Se fazendo de palhaço,
Dele só ganhou então,
Somente aperto de mão
Tapa nas costas e abraço.

Mané um dia saiu,
Foi com o Doutor falar.
Pediu-lhe um par de botas
Pra no dia a dia usar.
O candidato pensou
E no momento falou
Sentado numa cadeira:
— Olhe, meu grande amigo,
Venha aqui falar comigo
Na próxima Quarta-feira!

Na Quarta-feira animado
Mané foi lhe procurar,
E na casa do danado
Lhe esperou pra conversar.
Mas lhe disse uma mulher:
— Amigo o que você quer?
O candidato saiu!
O pobre se retirou,
No outro dia voltou
E a mesma coisa ouviu.

Na casa do candidato
Mané Pilão não foi mais,
O adesivo no mato
Jogou e disse: — Caifás!
Condenado! Beste fera!
Perdeu meu voto “Misera”!
Covarde!  Filho do Cão!
No bater de uma pestana
Chegou então a semana
Do dia da eleição.

Mané alisava um gato
Na sua porta sentado,
Quando o outro candidato
Apareceu animado.
A sua mão apertou,
Na casa dele entrou,
Bebeu café e sorriu.
Depois em um reservado
O par de botas sonhado
Mané então lhe pediu.

O candidato falou:
— Eu vou lhe dar companheiro!
Um assistente chamou,
Mandou ele ir ligeiro
Até a Loja Pelotas
Comprar logo o par de botas
Pra dar a Mané Pilão.
Quinze minutos nem deu
E o moço apareceu
Com o par de botas na mão.

Mané Pilão animado
Pegou as botas calçou
Lhe disse: — Muito obrigado!
Meu voto o senhor ganhou!
O candidato então,
Pegou-lhe outra vez na mão
Cheio de felicidade,
E chegou a lhe dizer:
— Vote em mim que eu vou fazer
Muito por essa cidade.

No dia da votação
Mané Pilão se acordou,
Cheio de satisfação
As botas logo calçou,
Na Escola Dom Rafael
Confirmou no Coronel
Com prazer dentro do peito.
Quando veio o resultado
O Doutor foi derrotado
E o Coronel foi eleito.

Mané Pilão ao saber
Deu um pulo de alegria,
E disse cheio de prazer
Pra velha Dona Maria:
— Sei que não votei errado,
Ele é um homem honrado
E muito vai trabalhar!
Com prazer eu votei nele,
Tenho certeza que ele
O povo vai ajudar!

Um dia a sua casinha
Mané pegou reformar,
E o cimento não tinha,
Pois precisava comprar.
Aí falou satisfeito:
— Vou falar com o prefeito
Faço isso num momento!
Ligeiro o procurou
E quando o encontrou
Pediu então o cimento.

Sínico como o Capeta
O homem chegou falar:
— Mané a coisa está preta
Não posso lhe ajudar.
Quando as botas eu lhe dei
O seu voto eu comprei
Naquela ocasião.
Posso lhe dar o cimento,
Mas só em outro momento,
Na próxima eleição.

Pra casa Mané voltou
Xingando o condenado,
Em casa as botas queimou
Com raiva do desgraçado.
Na mão do peste comeu,
Por quatro anos sofreu
Sem saúde e educação.
Por coisas materiais
Seu voto não trocou mais
E aprendeu a lição.

(Santana do Mundaú-AL, 4 de março de 2016)