segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

MINHA VIDA MELHOROU DEPOIS QUE FIQUEI SEM ELA


         (Cícero Manoel)

Quando eu estava amigado
Era uma grande agonia,
De casa eu não saía
Vivia ameaçado,
Passava o dia entocado
Brigando com a mazela,
Mas pra Deus acendi vela
Quando ela me deixou.
Minha vida melhorou
Depois que fiquei sem ela.

A triste era ciumenta
E não deixava eu sair,
Dizia: “Vai me trair”
E por gostar da febrenta
Ficava com a nojenta
Só assistindo novela,
Mas numa manhã singela
A mala ela arrumou.
Minha vida melhorou
Depois que fiquei sem ela.

Tudo que ela queria
Pra ela eu chegava dar,
Mas não chegava prestar
“Cabra ruim!” ela dizia.
Eu esquentava água fria
E na banheira amarela,
Dava até banho nela,
E o banho nunca prestou.
Minha vida melhorou
Depois que fiquei sem ela.

A triste não me beijava
E não me tinha amor,
Eu lhe tratava igual flor
E ela só me xingava,
Comigo não se deitava,
Nunca vi uma daquela,
Eu era gamado nela
Mas ela só me abusou.
Minha vida melhorou
Depois que fiquei sem ela.

Eu quis ir pra uma festa
E ela disse: "Vai não!"
Aí, pegou um facão
E arranhou minha testa.
Eu fiquei com a molesta,
Parti para cima dela,
Do batente da janela
Do mato ela me jogou,
Minha vida melhorou
Depois que eu fiquei sem ela.

Tinha dia que eu comia
Somente se eu cozinhasse,
Se acaso eu reclamasse
Cum pau ela me batia.
Eu gritei com ela um dia
Ela pegou a chinela,
Bateu na minha canela
E os meus quibas chutou.
Minha vida melhorou
Depois que eu fiquei sem ela.

De manhã lá no oitão
Eu jogava seu penico,
Rastava a bosta de Chico
Seu gato de estimação,
Cozinhava o feijão
E lavava a panela,
Lavei as calcinhas dela
Depois que ela me forçou
Minha vida melhorou
Depois que fiquei sem ela.

No dia de São João
Ganhei minha liberdade
Disse ela: “Vou na cidade”
Foi e ficou com Zezão,
Fiz um enorme festão
Com essa notícia bela,
No cabaré de Estela
Curtindo a vida hoje estou.
Minha vida melhorou
Depois que fiquei sem ela.

(Sítio Ilha Grande / Santana do Mundaú – AL7 de fevereiro de 2015)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O CAVALO E O PORCO



Numa bonita fazenda
Lá no meu lindo sertão,
Habitava em um cercado
Um cavalo alazão,
Seu dono o estimava
E com carinho o amava
Dentro do seu coração.

Numa tarde de verão
O cavalo a galopar,
Sua pata em um buraco
Chegou então enganchar,
Tentando tirar a pata,
Numa hora muito ingrata
A pata veio a quebrar.

Caído e sofrendo muito
Seu dono o encontrou,
E vendo a pata quebrada
Logo se prontificou,
Foi na fazenda rosário
Buscou um veterinário,
Este, o examinou.

Disse o veterinário
Ao olhar o animal:
“A pata está quebrada
E ele está muito mal
Mas enfaixei com carinho
E amanhã o bichinho
Pode amanhecer legal!”

Aí foram para casa
Depois de examiná-lo,
E disse o veterinário:
“Mas se amanhã o cavalo
Caído amanhecer,
Só há um jeito a fazer,
A gente sacrificá-lo.”

Nesse momento um porco
Que estava ali de lado,
Escutou essa conversa
E saiu desesperado
Foi procurar o cavalo
E ao chegar encontrá-lo
Contou tudo apressado.

Disse: “Compadre cavalo
O senhor está ferrado,
Se o senhor amanhecer
Amanhã aqui deitado,
Ouvi o Doutor falar
Que sua vida vai tirar,
Tu vai ser sacrificado!

O cavalo ouvindo isso
Botou então pra chorar,
E o porco com pena dele
Chegou a lhe abraçar
E disse: “Amigo estimado
Amanheça levantado
Ou eles vão lhe matar!”

Na manhã do outro dia
Fez um cavalo um esforço,
E conseguiu levantar-se,
Esticou o seu pescoço,
Pra frente um pouco andou
E por sentir dores parou
Mesmo na beira de um poço.

Chegou o veterinário
Na casa do fazendeiro,
E foram olhar o cavalo
Amigo e verdadeiro,
Quando o dono o viu de pé
Gritou: “Viva São José
O meu santo padroeiro!”

O veterinário olhou
E disse: “Vai melhorar!”
Disse o dono: “Eu tenho fé
Que bom ele vai ficar!
Seu Doutor vamos embora
Vou matar o porco agora
Pra gente comemorar!”

Então com o veterinário
Pra casa ele correu,
Em casa sangrou o porco,
Assou o bicho e comeu,
Fez um enorme festão
E em vez do alazão
O porco foi quem morreu.

Cicero Manoel Cordelista / Sítio Ilha Grande / Santana do Mundaú – AL / 16 de Janeiro de 2015




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

DEMOREI DE MAIS NA FARMÁCIA DO SUS


A minha querida mãe,
Senhora boa e decente,
Certo dia começou
A sofrer de dor dente,
Era uma dor tão do Cão
Que em certa ocasião
Doía até na gente.

A Agente de Saúde
Soube da situação,
E marcou-lhe uma ficha
Pra com seis dias então
Ir ao dentista passar
Pra quem sabe arrancar
O seu dente num puxão.

Quando o dia chegou
Pro dentista fui com ela,
Esperamos duas horas
Perto de uma janela
Depois minha mãe chamaram
E lá dentro arrancaram
O dente da boca dela.

Assim que o dente dela
O dentista arrancou
Me chamou num reservado
E logo me ordenou
A um remédio ir buscar
Só para desinflamar
O local que ponteou.

Saí doido na carreira
Buscar Amoxilina,
Lá na farmácia do SUS
Que ficava na esquina,
Mas quando perto cheguei
Uma fila avistei
Que nos olhos deu neblina.

Vi mais de trinta pessoas
Na fila de prontidão
Pra pegar medicamento
Pra Diabete, Hipertensão,
Tosse, Febre, Sinusite,
Diarreia, Ameba, Gastrite,
Sistosama e Depressão.

Aí na fila entrei
E fiquei a esperar
Me deu fome e a barriga
Logo começou roncar,
Nunca vi tanta demora
Passei mais de uma hora
Para minha vez chegar.

Quando a minha vez chegou
Agradeci a Jesus
Logo entreguei a receita
Também o Cartão do SUS
O despachante pegou
E pra minha cara olhou
Com os olhos igual um cuscuz.

E perguntou sobre Mãe,
Primeiro sobre a sua cidade,
Nome do pai e da mãe
Que só reta a saudade,
Se era casada ou solteira
E ainda por brincadeira
Me perguntou a idade.

Eu tudo lhe respondi
Naquele grande tormento,
Disse ele: “Ela negra ou branca?”
Aí naquele momento,
E falei todo raivoso:
“Deixe de ser curioso
Me entregue o medicamento!”

Disse o cabra: “Já entrego
Eu preciso perguntar,
Porque aqui um cadastro
Eu preciso formular
Para mandar para Brasília
De todo ente da família
Que vem remédio pegar!”

Aí me deu o remédio
E eu saí apressado,
A fila tava maior
De quando eu tinha chegado,
Atravessei uma pista
E cheguei lá no dentista
Onde Mãe tinha ficado.

Entrei procurei a pobre
E veja o ocorrido:
Já tinha tirados os pontos
Comido milho cozido
E no local do velho dente
Outro dente mais potente
Já tinha até nascido.

Não é mentira é verdade
Realmente aconteceu
Enquanto eu fui na farmácia
O fato se sucedeu,
Fui o remédio buscar
Demorei tanto voltar
Que um novo dente nasceu.

O remédio que eu peguei
Digo não serviu pra nada,
Porque quando eu voltei
Mãe já tava era curada,
Pra isso ter se passado,
Foi um milagre mandado
Lá da sagrada morada.

Confesso para você
Não cheguei acreditar,
Mas pode crer é verdade
Minha mãe pode provar,
Hoje só peço a Jesus
Pra da farmácia do SUS
Eu nunca mais precisar.

CICERO MANOEL / SANTANA DO MUNDAÚ – AL / 2 DE OUTUBRO DE 2014